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P
APELARI
A
Uma história sobre o papel, o tempo e a transformação da matéria
Fundado há cerca de 30 anos pelos designers Fabiola e Christian
Pentagna, o estúdio brasileiro Papelaria construiu uma trajetória
singular a partir da investigação do papel como matéria-prima e
linguagem criativa. Sua atuação atravessa o design de produtos,
a identidade visual, a direção criativa, a cenografia e as instalações
artísticas. Mais do que utilizar o papel como suporte, o estúdio
investiga sua natureza física e expressiva, transformando superfícies
bidimensionais em objetos, estruturas, espaços e experiências.
Ao longo dessa história, cada projeto representa uma nova
descoberta sobre a matéria, ampliando suas possibilidades e
questionando os limites entre arte, design e função.
An exploration of pape
r
, time, and the transformation of matter
Founded approximately 30 years ago by designers Fabiola and
Christian Pentagna, Brazilian design studio Papelaria has developed
a distinctive practice through its exploration of paper as both
material and creative language. Its work spans product design,
visual identity, creative direction, scenography, and art installations.
Rather than using paper merely as a support, the studio investigates
its physical and expressive nature, transforming two-dimensional
surfaces into objects, structures, spaces, and experiences.
Throughout this journey, each project represents a new discovery
about the material, expanding its possibilities and questioning the
boundaries between art, design, and function.
Le Bon Marché — O início de uma trajetória internacional
Paris, início da década de 2010
A participação da Papelaria na seleção de produtos brasileiros do Le Bon Marché marcou um ponto de inflexão na trajetória do
estúdio. Em meio a objetos e marcas que representavam diferentes expressões da cultura nacional, os blocos de notas em formato de
picolé chamaram a atenção pela capacidade de transformar um objeto cotidiano em uma pequena experiência de design.
A presença nas vitrines da loja parisiense e a receptividade do público francês revelaram o potencial internacional daquela linguagem,
na qual a precisão do desenho convivia com o humor e a memória afetiva. O papel começava a ultrapassar sua função convencional
para estabelecer novas relações entre objeto, cultura e identidade.
Le Bon Marché — The Beginning of an International Journey
Paris, early 2010s
Papelaria’s inclusion in Le Bon Marché’s selection of Brazilian products marked a turning point in the studio’s history.
Among objects and brands representing different expressions of Brazilian culture, its popsicle-shaped notepads stood out for their
ability to transform an everyday object into a small design experience. Their presence in the Parisian department store’s windows,
along with their enthusiastic reception by the French public, revealed the international potential of a language in which design
precision coexisted with humor and emotional memory. Paper was beginning to move beyond its conventional function, establishing
new relationships between objects, culture, and identity.
A
flor que trabalha com o tempo
Uma descoberta sobre a matéria
l
Um convite relacionado à Fondation Louis Vuitton deu origem a uma peça que transformaria definitivamente a maneira como o estúdio
compreendia o papel. O objeto reunia um bloco de notas em formato de vaso, um lápis como haste e folhas de papel que formavam
as pétalas de uma flor. Para o transporte, as folhas foram enroladas como um botão. Durante a viagem, a ação do tempo e do próprio
peso do material fez com que as pétalas se abrissem e, posteriormente, murchassem. O acontecimento revelou duas questões
fundamentais: o papel não é uma matéria estática, mas um organismo que reage ao tempo, e a embalagem não é apenas proteção,
mas parte ativa da construção do objeto. A partir dessa experiência, o estúdio passou a investigar a transformação como elemento
constitutivo de seus projetos, reconhecendo que a matéria também participa do processo criativo.
The flower that moves with time
A
discovery about materia
An invitation connected to the Fondation Louis Vuitton gave rise to a piece that would permanently transform the studio’s understanding
of paper. The object combined a vase-shaped notepad, a pencil as its stem, and sheets of paper forming the petals of a flower.
For transportation, the sheets were rolled into a flower bud. During the journey, time and the material’s own weight caused the petals to
open and eventually wilt. This unexpected transformation revealed two fundamental principles: paper is not static, but a material that
responds to time, and packaging is not merely protection, but an active part of an object’s construction. From this experience onward,
the studio began investigating transformation as an essential element of its projects, recognizing that the material itself participates in
the creative process.
Maison&Objet: O design brasileiro em circulação
Paris, 2012
A participação na Maison&Objet ampliou a presença internacional da Papelaria e estabeleceu novas possibilidades de circulação
para sua produção, que passou a alcançar nove países. Mais do que apresentar objetos, o estúdio levou à feira uma forma particular
de compreender o design: uma prática que nasce da observação do cotidiano, da inteligência material e da capacidade de síntese.
A presença em Paris também abriu caminho para encontros que transformariam sua atuação, aproximando o estúdio de importantes
nomes da moda, do design e da cultura contemporânea.
Maison&Objet: Brazilian Design in Circulation
Paris, 2012
Participation in Maison&Objet expanded Papelaria’s international presence, creating new opportunities for its work to circulate across
nine countries. Beyond presenting objects, the studio brought to the fair a particular understanding of design: a practice rooted in the
observation of everyday life, material intelligence, and the ability to achieve synthesis. Its presence in Paris also paved the way for
encounters that would transform its practice, connecting the studio with influential figures in fashion, design, and contemporary culture.
Colette: O cupcake como convite
Paris, 2012
Paris, início de uma colaboração de aproximadamente seis anos
O encontro com Sarah Andelman, da Colette, deu origem a uma das colaborações mais importantes da trajetória da Papelaria.
Para uma celebração da Hello Kitty, o estúdio desenvolveu um bloco de notas em formato de cupcake, nas cores azul e branco da loja
parisiense. O objeto condensava diferentes universos — design, moda, cultura pop e papel — em uma peça simples, mas carregada
de identidade. O sucesso do projeto abriu caminho para uma colaboração de aproximadamente seis anos, durante os quais o estúdio
criou e produziu no Brasil objetos exclusivos para a Colette. Essa relação consolidou um modelo de atuação que redefiniu a Papelaria:
suas lojas próprias foram encerradas e o trabalho passou a se concentrar no desenvolvimento de projetos sob demanda, concebidos
de acordo com a identidade, o contexto e as necessidades de cada marca.
Colette:
The Cupcake as an Invitation
Paris, 2012
The encounter with Sarah Andelman of Colette led to one of the most significant collaborations in Papelaria’s history.
For a Hello Kitty celebration, the studio developed a cupcake-shaped notepad in the Parisian store’s signature blue and white.
The object brought together different worlds — design, fashion, pop culture, and paper — in a simple yet distinctive piece. Its success
led to a collaboration lasting approximately six years, during which the studio designed and produced exclusive objects for Colette in
Brazil. This relationship established a new working model that redefined Papelaria: its own retail stores were closed, and the studio
shifted its focus toward bespoke projects developed according to each brand’s identity, context, and specific needs.
Design sob demanda
Novos diálogos com marcas internacionais
A experiência com a Colette ampliou o território de atuação do estúdio, que passou a desenvolver projetos exclusivos para marcas
como Cartier, Gucci e Nike, além de clientes brasileiros. A pesquisa material tornou-se parte de um processo mais amplo de direção
criativa, no qual cada objeto nasce de uma leitura particular da marca e de seu universo. A Papelaria passou a operar como um
escritório multidisciplinar, articulando conceito, desenho, produção e linguagem visual. Nessa prática, o papel permanece como
matéria central, mas deixa de ser uma limitação para funcionar como ponto de partida para diferentes escalas e formatos de criação.
Bespoke design
New dialogues with international brands
The experience with Colette expanded the studio’s creative territory, leading to exclusive projects for brands such as Cartier, Gucci, and
Nike, as well as Brazilian clients. Material research became part of a broader creative direction process, in which each object emerged
from a particular interpretation of a brand and its universe. Papelaria evolved into a multidisciplinary studio, bringing together concept,
design, production, and visual language. Within this practice, paper remains the central material, yet no longer acts as a limitation.
Instead, it becomes a starting point for creation across different scales and formats.
Nossa História de
Amor
Um livro que se escreve com o outro
Paris, 2017
Diante do anúncio do encerramento da Colette, a Papelaria criou um objeto para celebrar os 20 anos da loja e a relação construída ao
longo dessa trajetória. A Nossa História de Amor era um livro inteiramente em branco, acompanhado de um convite para que seus
destinatários registrassem suas próprias memórias e o devolvessem à marca. Foram produzidos 20 exemplares, um para cada ano de
existência da Colette. O projeto deslocava o livro de sua condição tradicional de objeto que transmite uma narrativa para transformá-lo
em um dispositivo de escuta e construção coletiva. O vazio das páginas não representava ausência, mas espaço para o encontro.
O papel assumia sua potência mais essencial: acolher histórias que ainda não haviam sido escritas.
Our Love Story
A
book written by others
Paris, 2017
Following the announcement of Colette’s closure, Papelaria created an object to celebrate the store’s 20-year history and the
relationship built throughout that time. Our Love Story was an entirely blank book, accompanied by an invitation for recipients to record
their own memories and return it to the brand. Twenty copies were produced, one for each year of Colette’s existence. The project
shifted the book from its traditional role as an object that conveys a narrative into a platform for listening and collective storytelling.
The empty pages did not represent absence, but space for connection. Paper assumed its most essential potential: to hold stories that
had yet to be written.
Pascale e Dimitri Mussard
As sete bolsas que nunca foram feitas
Papelaria × Paqui
Um dos exemplares de A Nossa História de Amor chegou às mãos de Pascale Mussard, sexta geração da família Hermès e ex-diretora
criativa da casa na época. O encontro levou Pascale ao Brasil e deu origem a uma colaboração construída a partir de uma pergunta:
que bolsas ela gostaria de ter criado, mas nunca havia realizado? A Papelaria propôs materializar essas ideias em papel. Nasceu uma
coleção de sete bolsas feitas em papel resistente à água, aproximando uma matéria associada à fragilidade de um universo
tradicionalmente ligado ao couro, à permanência e ao luxo. O projeto questionava não apenas a natureza do objeto, mas também os
códigos materiais que definem seu valor. A bolsa deixava de ser exclusivamente um acessório para assumir a condição de peça de
design, na qual a tensão entre delicadeza e resistência se tornava parte da narrativa.
Pascale and Dimitri Mussard
The Seven Bags That Were Never Made
Papelaria × Paqui
One of the copies of Our Love Story reached Pascale Mussard, a sixth-generation member of the Hermès family and former creative
director of Maison . This encounter brought Pascale to Brazil and gave rise to a collaboration built around a question: which bags had
she always wanted to create but never had the opportunity to make? Papelaria proposed bringing these ideas to life in paper. The result
was a collection of seven bags made from water-resistant paper, introducing a material traditionally associated with fragility into a world
defined by leather, permanence, and luxury. The project questioned not only the nature of the object, but also the material codes that
determine its value. The bag moved beyond its conventional role as an accessory to become a design object, where the tension be
-
tween delicacy and resistance became part of the narrative.
7 Bettys: O papel encontra a água
Para apresentar a coleção desenvolvida com Pascale e Dimitri Mussard, o estúdio criou uma campanha com Betty Prado, fotografada
em contato com a água. As imagens deram origem à exposição 7 Bettys, na qual o papel resistente à água passou a dialogar com o
corpo e com um elemento que, convencionalmente, representa sua vulnerabilidade. A campanha inverteu essa relação: a água deixou
de ser ameaça para tornar-se parte da expressão do material. O projeto também ampliou o entendimento sobre as possibilidades
construtivas do papel, abrindo caminho para o desenvolvimento de peças de vestuário costuradas, como sapatos, jaquetas e ternos.
O que antes era superfície tornou-se roupa, estrutura e extensão do corpo.
7 Bettys — Paper meets water
To present the collection developed with Pascale Mussard, the studio created a campaign featuring Betty Prado, photographed in
contact with water. The images gave rise to the exhibition 7 Bettys, in which water-resistant paper entered into dialogue with the body
and with an element traditionally associated with its vulnerability. The campaign reversed this relationship: water ceased to be a threat
and became part of the material’s expression. The project also expanded the studio’s understanding of paper’s structural possibilities,
paving the way for stitched paper garments, including shoes, jackets, and suits. What had once been a surface became clothing,
structure, and an extension of the body.
T
otens: O papel abandona a horizontalidade
Na primeira participação do estúdio na SP-Arte, a investigação partiu de um gesto aparentemente simples: alterar a orientação
convencional das folhas de papel. Dispostas verticalmente e organizadas em torno de um eixo, elas passaram a construir esculturas
nas quais a repetição, a sobreposição e a gravidade determinavam forma e volume. A série de totens deslocava o material de sua
condição bidimensional, conferindo-lhe presença arquitetônica. O papel deixava de ser suporte para assumir corpo próprio.
A pesquisa deu origem a novos desdobramentos escultóricos, posteriormente apresentados também na Bélgica, na galeria Darwin 15,
afirmando a matéria como um meio autônomo de expressão artística.
T
otems: Paper moves beyond the horizontal
For the studio’s first participation in SP-Arte, the investigation began with a seemingly simple gesture: changing the conventional orienta
-
tion of sheets of paper. Positioned vertically and arranged around a central axis, they became sculptures in which repetition, layering,
and gravity determined form and volume. The totem series moved the material beyond its two-dimensional condition, giving it an archi
-
tectural presence. Paper was no longer a support; it became a body in its own right. The research led to further sculptural develop
-
ments, later presented in Belgium at Galerie Darwin 15, establishing paper as an autonomous medium of artistic expression.
Le Bon Marché: “Mise an page” por Sarah Andelman
Paris, 2024
Em uma nova colaboração com o Le Bon Marché, a convite de Sarah Andelman, a Papelaria desenvolveu uma série de objetos a partir
do tema livros. O projeto permitiu aprofundar a investigação sobre o papel como matéria expressiva, explorando suas relações com
formas orgânicas, estruturas e referências ao mundo literário. A liberdade criativa transformou o desenvolvimento dos produtos em um
exercício de pesquisa, no qual o desenho se constrói a partir das propriedades do material. O projeto reafirmou uma característica
central do estúdio: a capacidade de transitar entre objeto comercial e experimentação artística sem estabelecer uma separação rígida
entre essas duas dimensões.
Le Bon Marché: “Mise an page” by Sarah Andelman
Paris, 2024
In a new collaboration with Le Bon Marché, at the invitation of Sarah Andelman, Papelaria developed a series of objects inspired by the
theme of books. The project offered an opportunity to deepen the studio’s exploration of paper as an expressive material, investigating
its relationship with organic forms, structures, and references to the literary world.
The creative freedom behind the project transformed the development of the pieces into an exercise in research, where design emerged
directly from the material’s own properties. The project reaffirmed a defining characteristic of the studio: its ability to move fluidly be
-
tween commercial objects and artistic experimentation, without drawing a rigid boundary between the two.
T
omie Ohtake, objetos de memória:
A
identidade traduzida em papel
Em projetos desenvolvidos a partir da trajetória da artista, a Papelaria passou a investigar objetos pessoais como instrumentos de
aproximação com universos individuais. Porta-óculos, porta-moedas e leques foram reinterpretados em papel, preservando referências
de uso e memória, mas assumindo outra condição material. Cada peça funciona como uma tradução, na qual o cotidiano se transforma
em linguagem visual. O interesse não está na reprodução literal dos objetos, mas na possibilidade de revelar, por meio do desenho,
aspectos da identidade de quem os utiliza. O papel atua como mediador entre memória, função e representação.
T
omie Ohtake, Objects of Memory:
Identity
T
ranslated into Paper
In projects developed around the artist’s trajectory, Papelaria began to investigate personal objects as a means of approaching individu
-
al worlds. Eyeglass cases, coin purses, and fans were reinterpreted in paper, preserving references to use and memory while taking on
a new material condition.Each piece operates as a translation, in which the everyday is transformed into visual language. The interest
lies not in the literal reproduction of the objects, but in the possibility of revealing, through design, aspects of the identity of those who
use them. Paper acts as a mediator between memory, function, and representation.
Hermès:
Um jantar inteiramente construído em papel
Em um projeto de direção criativa para a Hermès, a Papelaria foi responsável pela construção de um universo cenográfico inteiramente
desenvolvido a partir de sua matéria principal. Identidade visual, mobiliário, esculturas de mesa, vestuário da equipe e elementos
espaciais foram concebidos como partes de uma mesma linguagem. O papel ultrapassou a escala do objeto para ocupar o espaço
e estabelecer uma relação direta com a arquitetura e o corpo. A experiência demonstrou sua capacidade de assumir diferentes
funções sem perder identidade, criando uma unidade visual em que matéria, desenho e ambiente se tornam indissociáveis.
A cenografia deixou de ser apenas o lugar onde o evento acontece para tornar-se a própria expressão do projeto.
Hermès:
A
dinner entirely made of paper
In a creative direction project for Hermès, Papelaria was responsible for constructing an entire scenographic universe from its primary
material. Visual identity, furniture, table sculptures, staff clothing, and spatial elements were conceived as parts of a unified language.
Paper moved beyond the scale of the object to occupy space and establish a direct relationship with architecture and the body. The
experience demonstrated its ability to assume different functions without losing its identity, creating a visual unity in which material,
design, and environment become inseparable. Scenography ceased to be merely the setting in which the event took place and became
the very expression of the project.
Piscina de bolinhas:
A
última matéria que se move
A partir do reaproveitamento de papéis utilizados em um projeto anterior, o estúdio desenvolveu uma piscina inteiramente composta
por bolinhas de papel. O que antes integrava uma cenografia passou a existir como uma nova paisagem, sem identificação de sua
origem. A instalação desloca o imaginário do jogo para uma experiência física sobre fragilidade, transformação e memória.
Ao entrar no espaço, o visitante deixa de ser espectador e passa a participar da construção da obra: amassa, desloca, reorganiza.
Cada movimento altera a paisagem e deixa uma marca na matéria. Há também uma reflexão sobre o percurso do próprio papel,
produzido a partir de uma matéria viva que, depois de sucessivos processos industriais, tende à imobilidade. Nesta instalação, ele
volta a se mover. O corpo transforma o brincar em gesto escultórico e a matéria recupera sua capacidade de mudança. A obra propõe
uma reflexão sobre o que permanece e o que se transforma, fazendo da instabilidade uma condição essencial da experiência.
Paper Ball Pool:
The last material to move
By repurposing paper from a previous project, the studio developed a pool composed entirely of paper balls. What had once been part
of a scenographic environment became a new landscape, with no visible reference to its original context. The installation transforms the
familiar idea of play into a physical experience of fragility, transformation, and memory. Upon entering the space, visitors cease to be
spectators and become participants in the construction of the work: crushing, displacing, and rearranging the material. Every movement
alters the landscape and leaves a trace. The installation also reflects on the journey of paper itself, produced from a living material that,
after successive industrial processes, tends toward immobility. Here, it moves again. The body transforms play into a sculptural gesture,
and the material regains its capacity for change. The work reflects on what remains and what transforms, making instability an essential
condition of the experience.
Papel de bala de coco:
A
beleza do ordinário
A investigação sobre materiais cotidianos levou a Papelaria a desenvolver uma série de luminárias a partir do papel utilizado para
embalar balas de coco. Um material familiar, geralmente associado ao descarte, passou a construir superfícies translúcidas e
estruturas luminosas. O projeto revela a importância da rua como território de observação e pesquisa para o estúdio. A matéria não
precisa ser rara ou sofisticada para produzir uma experiência singular; sua potência pode estar justamente nas qualidades que
passam despercebidas. Ao deslocar o papel de sua função original, as luminárias transformam um elemento ordinário em objeto de
contemplação, articulando memória afetiva, luz e desenho.
Coconut candy wrappers:
The beauty of the ordinary
The investigation of everyday materials led Papelaria to develop a series of lighting objects using the paper traditionally employed to
wrap Brazilian coconut candies. A familiar material, usually associated with disposability, became the foundation for translucent surfaces
and luminous structures. The project reveals the importance of the street as a territory of observation and research for the studio. A ma
-
terial does not need to be rare or sophisticated to create a singular experience; its potential may lie precisely in the qualities that usually
go unnoticed. By removing the paper from its original function, the lamps transform an ordinary element into an object of contemplation,
bringing together emotional memory, light, and design.
Jardim de Papel:
Uma arquitetura da contemplação
Maison&Objet, Paris, 2026
Convidada pela curadoria da Maison&Objet a ocupar um espaço especial, a Papelaria criou um jardim inteiramente construído em
papel. A instalação propõe uma paisagem tátil, na qual curvas orgânicas, dobras e texturas reinterpretam a natureza sem reproduzi-la
literalmente. O espaço se apresenta como um refúgio, uma arquitetura do pensamento que convida à pausa e à contemplação. Entre a
delicadeza das formas e o rigor das estruturas, o papel assume uma presença quase viva, evocando processos de crescimento, ad
-
aptação e renovação. O projeto investiga a relação entre natureza e construção, transformando uma matéria industrializada em um
território sensível. Aqui, o jardim não representa apenas o mundo natural: ele propõe outra maneira de observá-lo, lembrando que o
movimento também pode existir na imobilidade.
Paper Garden:
An architecture of contemplation
Maison&Objet, Paris, 2026
Invited by the curatorial team of Maison&Objet to occupy a special space, Papelaria created a garden entirely made of paper. The
installation proposes a tactile landscape in which organic curves, folds, and textures reinterpret nature without reproducing it literally.
The space becomes a refuge, an architecture of thought inviting visitors to pause and contemplate. Between the delicacy of its forms
and the rigor of its structures, paper assumes an almost living presence, evoking processes of growth, adaptation, and renewal. The
project investigates the relationship between nature and construction, transforming an industrial material into a sensitive territory. Here,
the garden does more than represent the natural world: it proposes another way of observing it, reminding us that movement can also
exist within stillness.
Espelho d'Água:
A
permanência de uma forma
Em um novo desdobramento da investigação sobre papel resistente à água, a Papelaria desenvolve uma série de boias que se trans
-
formam em espelhos de parede. A boia, objeto originalmente destinado à proteção e à flutuação, abandona sua função para assumir
outra relação com o corpo. A água deixa de estar fisicamente presente, mas permanece na superfície reflexiva. A estrutura em papel
preserva a memória do objeto original, enquanto o espelho introduz uma nova dimensão de percepção. O corpo, antes sustentado pela
boia, passa a encontrar nela sua própria imagem. Espelho d'Água sintetiza uma investigação recorrente na trajetória do estúdio: deslo
-
car materiais e funções para construir novos significados. A aparente contradição entre papel e água torna-se o ponto de partida para
uma reflexão sobre proteção, presença e transformação.
W
ater Mirror :
The permanence of form
In a new development of its research into water-resistant paper, Papelaria presents a series of lifebuoys transformed into wall mirrors.
The lifebuoy, an object originally conceived for protection and flotation, abandons its function to establish a different relationship with the
body. Water is no longer physically present, yet remains through the reflective surface. The paper structure preserves the memory of the
original object, while the mirror introduces a new dimension of perception. The body, once supported by the lifebuoy, now encounters its
own image within it. Water Mirror brings together a recurring investigation in the studio’s trajectory: shifting materials and functions to
construct new meanings. The apparent contradiction between paper and water becomes the starting point for a reflection on protection,
presence, and transformation.
O papel como investigação contínua
A trajetória da Papelaria não se organiza apenas pela sucessão de projetos, mas pelas descobertas que cada um deles produz.
Do bloco de notas ao objeto escultórico, da bolsa à arquitetura efêmera, da embalagem à instalação imersiva, o papel é
constantemente deslocado de suas funções convencionais para assumir novas possibilidades expressivas. O tempo, o peso, a gravi
-
dade, a água, a luz e o contato com o corpo passam a participar da construção das obras. A matéria não é apenas moldada pelo de
-
senho: ela reage, interfere e, muitas vezes, determina o resultado.
Essa compreensão sustenta uma prática que transita entre arte, design e direção criativa, na qual cada projeto é também uma opor
-
tunidade de investigação.
Paper as an ongoing investigation
Papelaria’s trajectory is defined not simply by a succession of projects, but by the discoveries each one generates. From notepads to
sculptural objects, from handbags to ephemeral architecture, from packaging to immersive installations, paper is constantly removed
from its conventional functions to assume new expressive possibilities. Time, weight, gravity, water, light, and contact with the body
become active elements in the construction of the works. The material is not merely shaped by design: it reacts, intervenes, and often
determines the outcome.
This understanding sustains a practice that moves between art, design, and creative direction, where every project also becomes an
opportunity for investigation.
Para Fabiola e Christian Pentagna, o papel não é simplesmente aquilo de que as coisas são feitas. É aquilo a partir do qual
novas possibilidades podem ser imaginadas.
For Fabiola and Christian Pentagna, paper is not simply what things are made of. It is the material from which new possibilities
can be imagined.
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